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Artigos
O paradigma sistêmico tem contribuído com um novo olhar para as doenças relacionadas ao trabalho e, consequentemente, trazem seu cerne uma nova postura do profissional de família que trabalha na área institucional. Esse é o pensamento que norteará este artigo, juntamente com algumas experiências e estudos que venho desenvolvendo junto às famílias de funcionários portadores de algumas patologias do trabalho. É de conhecimento de boa parte da sociedade a crescente ocorrência de acidentes de trabalho, além dos muitos casos de incapacidades funcionais temporárias e permanentes, ou até mesmo o afastamento do serviço e o absenteísmo em razão de alguma patologia relacionada ao desempenho de atividades profissionais.As doenças relacionadas ao trabalho atingem empregados e empregadores, causando grandes prejuízos financeiros à iniciativa privada e aos cofres públicos, acarretando danos ao tecido social e um enorme desgaste da saúde física e mental dos familiares desses profissionais atingidos, que são engolidos pelo modelo de trabalho vigente.Não pretendo esgotar todas as variáveis que compõem o universo de trabalho de empregados e empregadores.Poderia dissertar sobre a questão econômica, social, política, entretanto, pretendo deter-me na complexidade das interações que envolvem a dinâmica da patologia do trabalho, influenciando o sistema familiar. A terapia familiar tem auxiliado de forma significativa as equipes interdisciplinares que atuam nas instituições fazendo a prevenção, a reabilitação e a recuperação desses profissionais e, algumas vezes, estendo tais contribuições aos seus familiares. As várias patologias do trabalho da nossa sociedade contemporânea atingiram o seu ápice, na década de 70. Entre as mais constantes, pode-se citar LER (lesão por esforço repetitivo), DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho), dependência química, depressões, úlceras e gastrites causadas por estresse, fadiga crônica ec fibromialgia.O desencadeamento destas patologias se deveu, principalmente, à implementação do trabalho automatizado, que trouxe ao trabalhador não só prejuízos orgânicos como também desorganizações psíquicas consideráveis. Até então, estas doenças têm sido tratadas por um longo período, levando em consideração o ambiente de trabalho e o sistema intrapsíquico do funcionário atingido. Hoje, graças à intervenção, à atuação e à presença dos terapeutas familiares, membros das equipes interdisciplinares, são possíveis incluir as famílias no projeto terapêutico que visa à melhoria da saúde ocupacional dos trabalhadores. É de grande valia a incorporação da família no tratamento das doenças relacionadas ao trabalho. Os padrões repetitivos de comportamentos que eclodem nas instituições têm uma correlação direta com as dinâmicas do sistema familiar durante as fases de transição do ciclo vital.Não é incomum que situações de impasses vividos na família repercutam no local de trabalho e vice-versa.Por exemplo, ameaças de desemprego acabam por gerar crises de ansiedades na relação conjugal, ou situações de separações ressoam no desempenho profissional. “Relatos semelhantes aos acima são citados por Bowen em uma experiência em clínica psiquiatra:” Los Modelos de todos los sistemas emocionales son iquales, sea que se trate de sistemas familiares, sistemas laborales o sistemas sociales, y a la única difencia entre ellos es su grado de intensidade” (1991, p.90). O profissional de família de família que atua nas instituições deve incorporar à sua epistemologia o fato de que doenças orgânicas, quando não tratadas devidamente, tendem a ser transformar em um “sofrimento psíquico” (Freud, 1916/1917, vol.XXIV – Conferências – Estado Neurótico Comum”). Terapeutas familiares, famílias e instituições, quando em consonância, formam uma composição triangular na qual o benefício para a reabilitação e recuperação das doenças ligadas ao trabalho é, em si, de extrema relevância para toda a sociedade. Em um mundo no qual o modelo de trabalho é exageradamente competitivo, empregados e empregadores são submetidos a uma “obsessão pelo trabalho”. Contudo, essa mesma sociedade faz uma leitura de significados da palavra “Obsessão” como sinônimo de “virtude”.A crença de que o trabalho o homem carece de um complemento: “Cuidado! Saúde não leva desaforo para casa”.
* Terapeuta de casal e família, formador da Escola Vinculovida |
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