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Artigos
Este artigo fundamenta-se, em parte, na minha experiência profissional como terapeuta de casal e família, bem como nas vivências como consultora de empresa, na área de saúde ocupacional. O conhecimento resultante dessas atuações aliado as de estudos e pesquisas científicas apontam para o fato de que os altos executivos e megaempresários denominados “workaholic”, por trabalharem seguidamente 12 a 16 horas diárias, têm como prioridade básica a ser alcançada, os desafios cada vez maiores e as metas progressivamente mais competitivas. Como conseqüência, deixa em segundo plano, o convívio com a família. O processo racional, objetivo e operatório que permeia a construção do funcionamento mental desses trabalhadores obsessivos, não os deixa perceberem as dificuldades afetivas nas relações familiares, seja com a esposa, filhos ou sua própria família de origem. Os referidos trabalhadores desenvolvem o que chamamos “relação branca”, ou seja, não sentem a necessidade do outro como parte do processo de alteridade, significando que a participação do outro é indiferente na relação. São incapazes, ao mesmo tempo, de perceber que é através da nomeação e dos “feed backs” do outro, como parceiro de evolução, que o ser humano constrói suas histórias pessoais e singularidades, constituindo assim, o seu aprendizado e desenvolvendo, com isso, o seu processo como ser único e universal. Quando os mesmos são interpelados, dizem não saber o porque as esposas e filhos estão aborrecidos ou bravos, pois costumam não conversar muito com eles para não incomodá-los. Referem-se ou justificam seu isolamento da família, dizendo que geralmente usam o tempo para ficar quieto, vendo televisão no final de semana ou ir ao clube para bebericar com os amigos. Desse modo quando chegam em casa, já é tarde e vão dormir . Se porventura sobrar algum tempo, costumam ler bastante. Assim, não entendem porquê seus familiares reclamam, pois vivem para a família e estando sempre presentes em casa. Sua vida é de casa para o trabalho vice-versa. Esses profissionais estão inseridos em uma sociedade que considera o trabalho de valor fundamental. Isso faz com que os altos executivos, e os megaempresários mascarem essa obsessão pelo trabalho, tratando-a como uma virtude. Comandar e criar enormes desafios nas várias empresas que fundam ou ajudam a recuperar é uma tarefa vivida por esses profissionais, com o objetivo que lhes dá um sentido de vida, porém comandar as suas famílias e os diversos aspectos da complexidade que envolve esse arcabouço afetivo chega a ser desestruturante do ponto de vista do funcionamento mental. Estou de férias! Vou me aposentar no ano que vem! Não sei administrar minha família? Na minha empresa era mais fácil. Esses são alguns dos questionamentos vividos por altos executivos e grandes empresários que ao desenvolverem o “vício pelo trabalho” sofrem de sentimento de culpa e ansiedade, que os impede de relaxar nas horas vagas. Porém agora eu digo que, Carlito Maia não observou que, em outra citação, o dicionário estava certo, quando interpretado à luz de que o dom maior que o homem possui é a sua vida. E conseqüentemente, tem que cuidar da sua saúde. E, no dicionário consultado diz que “a saúde vem antes do trabalho sim e porque não dizer, no mesmo dicionário está escrito que a saúde vem antes do sucesso”.* |
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