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As doenças psicossomáticas são sintomas que predizem crises conjugais
por Angela Herrera*

Quando pensamos na relação conjugal, a partir do paradigma sistêmico, levamos sempre em consideração que a formação do casal nunca é composta por dois elementos e sim três elementos, ou seja, a individualidade de cada um dos cônjuges, mais a relação que se estabelece entre eles.

Essa é uma afirmação de difícil compreensão para os casais que chegam ao consultório procurando ajuda, pois na sua maioria já trazem a solução, principalmente quando a questão passa pelo adultério, o culpado é sempre aquele que efetuou o ato de traição, e o parceiro(a) é sempre a vítima.

Ou seja, uma forma de ver a vida muito simplista, fruto de construção do pensamento linear, ou seja, sempre a procura de um nexo-causal, relacionando sempre a questão da causa e efeito, como se a convivência a dois pudesse ser considerada algo de fácil acesso.

Não tenho a pretensão com esse artigo fazer a apologia dos atos irresponsáveis da relação conjugal, sejam eles, adultério, consumismo ou posturas narcisistas de determinados homens ou mulheres que imaginam serem deus.

Apenas pretendo como um estudioso da área de casais e famílias, emprestar minha colaboração para ampliar a percepção dos fenômenos, que os cônjuges, estão envolvidos, e não se dão conta, pela cegueira, de querer observar os fatos de uma jeito simples e reducionista.

Esse conceito que agora, estou dividindo com vocês leitores, é referendado pelas ciências biológicas que emprestou para as ciências sociais, como tal, serve subsídios para os estudos casais e família. Por exemplo, na combinação química de dois elementos é possível o surgimento de terceiro elemento totalmente diferente , fenômeno esse, denominamos de propriedades emergente.

Exemplo da água: Oxigênio (O) + 2 átomos de Hidrogênio = H2O, sendo oxigênio um gás e o hidrogênio um outro gás, porém na combinação química o resultado é um líquido. Isso é que chamamos de propriedade emergente a combinação de elementos semelhantes, no caso, dois gases, na reação química faz emergir um líquido.

Assim é a composição do casal, personalidades diferentes , quando em relação faz emergir na relação uma mente grupal totalmente diferente, daqueles atributos que tinham cada um em sua individualidade. Daí as incertezas da relação conjugal, o produto da relação no momento da combinação e não pode ser previsível.

Considerando a complexidade sistêmica da relação conjugal, que passam por várias crises, não podemos deixar de considerar a história familiar e pessoal de cada um dos parceiros, vividas em suas respectivas família de origens; temos um ditado popular que diz “ Nós não casamos com aquele homem ou aquela mulher e sim com a sua família”.

Podemos perceber isto, através dos vários mitos, crenças e legados familiares que perpassam através das várias gerações, fazendo com que a família de origem tenha muita influência na vida do casal.

As crises conjugais fazem parte do processo evolutivo de cada um dos cônjuges, que quando trabalhadas e re-significadas podem levá-los a amadurecerem emocionalmente .As crises podem ser geradas por diversos impasses, dentre eles, falta de diálogos e reflexões sobre vida do casal , algumas dificuldades na área sexual , conflitos de opinião ou de interesse, diferenças culturais.

Podendo o sistema conjugal não encontrar alternativas para sair do impasse e com isso desencadear doenças psicossomáticas tais como: úlceras, alergia, hipertensão arterial , obesidade causada pela ansiedade, anorexia nervosa, bulemia, dependências químicas e fobias.

Porém nas crises conjugais também existe espaço para o crescimento de ambos os cônjuges, visto que o processo evolutivo do casal representa uma escolha privilegiada de intercâmbio relacional .

Da mesma forma que o nível de liberdade nas escolhas é diretamente proporcional, ao nível de consciência alcançado por cada um dos membros da relação, no momento do casamento. O que sofre influência direta da fase de transição em que cada cônjuge está vivendo em sua família de origem, ao realizar mais essa etapa do ciclo vital familiar.

Fatores desencadeantes das crises conjugais tais como: adultério, crise financeira interferindo na relação, dependências químicas, jogos de azar, surgem na maioria das vezes como um meio sinalizar que existem conflitos subjacentes, na relação conjugal, ainda resolvidos, o que requer o auxílio de um profissional especializado em terapia familiar e de casal.

Aprender a ampliar o nossa percepção de mundo, ao mesmo tempo, que entendemos melhor as nossas relações familiares e conjugais, não significa tirar a responsabilidade individual de cada um e sim ter consciência de que o outro faz parte do nosso processo evolutivo inter-relacional.

O que por sua vez torna nossas relações conjugais mais humanas e solidárias, já que não tenho como negar a responsabilidade dos meus 50%, no processo de escolha do meu parceiro(a).

* Assistente Social e Psicóloga

 
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