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Terapia Familiar e Saúde Ocupacional
por Sebastião Alves de Souza*

O paradigma sistêmico tem contribuindo com um novo olhar para as doenças relacionadas ao trabalho e conseqüentemente traz em seu cerne um nova postura do profissional de família, que trabalha na área institucional.

Esse é o pensamento que norteará referido artigo, juntamente com algumas experiências e estudos, que venho desenvolvendo junto às famílias de funcionários portadores de alguma (as) patologias do trabalho.

É de conhecimento de boa parte da sociedade, a crescente incidência dos acidentes de trabalho, os números casos de incapacidades funcionais temporárias e permanentes, ou até mesmo, o afastamento do serviço e o absenteísmo por alguma patologia do trabalho.

Enfim, as doenças relacionadas ao trabalho atingem a empregados e empregadores, causando grandes prejuízos financeiros a iniciativa privada e os cofres públicos.

Acarretando assim, danos ao tecido social e um enorme desgaste da saúde física e mental dos familiares desses profissionais, que são engolidos por esse modelo de trabalho vigente.

Não pretendo esgotar todas as variáveis que compõem o universo de trabalho dos empregados e empregadores. Poderia dissertar sobre a questão econômica, social, política, porém me deterei na complexidade das interações que envolvem a dinâmica da patologia do trabalho influenciando o sistema familiar.

A terapia familiar tem auxiliado de forma significativas nas equipes interdisciplinares que atuam nas instituições, fazendo à prevenção, a reabilitação e a recuperação desse profissionais, estendo tais contribuições aos seus familiares.

As várias patologias do trabalho de nossa sociedade contemporâneas, tiveram o seu ápice, na década de 70, dentre elas, LER/DORT, dependência química , depressões, ulceras e gastrite causadas por estresse, fadiga crônica, fibromialgia.O desencadear das referidas patologias deveu-se principalmente a implementação do trabalho automatizado, trouxe ao trabalhador, não só prejuízos orgânicos, como também desorganizações psíquicas consideráveis.

Até então, as referidas patologias, tem sido tratadas por um longo período levando em consideração o ambiente de trabalho e o sistema intrapsíquico do funcionário. Hoje, graças a intervenção, atuação e a presença dos terapeutas familiares, membros das equipes interdisciplinares é possível incluir às famílias no projeto terapêutico que visam a melhoria da saúde ocupacional dos trabalhadores.

É de grande valia a incorporação da família no tratamento das doenças relacionadas ao trabalho, visto que os padrões repetitivos de comportamentos que eclodem nas instituições tem um correlação direta com as dinâmicas do sistema familiar, durante as suas fases de transição do ciclo vital.

Não é incomum situações de impasses vividos na família repercutirem no local de trabalho e vice-versa. Por exemplo, ameaças de desemprego acabam por gerar crises de ansiedades na relação conjugal, ou situações de separações ressoarem no desempenho profissional.

Relatos semelhantes aos acima são citados por Bowen ( 1991 p. 90) “ em uma experiência em clínica psiquiatra, “Los modelos de todos los sistemas emocionales son iquales, sea que se trate de sistemas familiares, sistemas laborales o sistemas sociales, y la única difencia entre ellos es su grado de intensidad”.

O profissional de família que atua nas instituições tem que incorporar sua epistemologia, que doenças orgânicas quando não devidamente tratadas tendem a ser transformarem em um “ sofrimento psíquico” ( Freud, XXIV – Conferências – “Estado Neurótico Comum”, 1916/!917).

Terapeutas de familiares, famílias e instituição quando em consonância formam uma composição triangular, na qual o benefício para reabilitação e recuperação das doenças relacionadas ao trabalho, é em si, um quadro de extrema relevância para toda a sociedade.

Em uma sociedade em que o modelo de trabalho é exageradamente competitivo, empregados e empregadores são submetidos a uma”obsessão pelo trabalho”. Porém, essa mesma, sociedade faz uma leitura de “obsessão” como uma “virtude”.
A crença de que “ O trabalho dignifica o homem” carece de um complemento, mais ou menos assim “ Cuidado saúde não leva desaforo para casa”

* Psicólogo, Terapeuta de Casal e Família, Diretor e professor da Escola de Formação Terapia Familiar Vinculovida.

 
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Tel: (11) 5083-8410
Rua Loefgren, 528
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